segunda-feira, 1 de setembro de 2014

A vida em loopin


   A última vez que surtei (há mais ou menos 5 meses atrás) passei 3 dias trancada num quanto, dormindo no sofá e com este vídeo em loopin até dormir. Na época simplesmente parei de tomar remédio porque "não adiantavam nada". Foi quando dei cara à minha pantera interna, que você pode ver AQUI.

   Pearl Jam sempre foi minha fuga desde a minha adolescência, sempre deu voz aos meus monstros internos que nem eu mesma entendia. Eddie Vedder sempre foi minha paixão platônica, mas não como algumas adolescentes que choram, gritam e quase morrem pelo ídolo, que colam poster pelo quarto todo..... não, minha paixão era pela voz, pelas melodias, pelas letras e interpretações que só ele foi capaz de dar em músicas maravilhosas.

   Black sempre foi a minha música, até hoje minhas amigas do colégio lembram disso. Fui grunge, andei de bota e blusa de flanela e escutava o CD inteiro sem pular nenhuma música.
Mas depois de tantos anos nunca imaginei ser "salva" por este amor.
Aqueles 3 dias trancada em um quarto sozinha foi a sirene piscando pra não deixar dúvidas de que nada estava bem.

   E foi bom poder ver que existia pelo menos uma ponta dentro de mim que ainda estava inteira. Em 3 dias de insanidade foi dentro de uma voz interna, interpretada por uma das melhores vozes que conheço na música, que me mantive viva, não me abandonei e não me perdi.
Até hoje quando ouço essa música tenho vontade de passar horas repetindo, mas ao mesmo tempo me lembro destes 3 dias ruins. O lado bom e o lado mal de uma mesma coisa.

   Assim como nós: um lado destrutivo / um lado construtivo. Ainda que você não perceba, mas está aí dentro de você, como uma luz em meio a escuridão. Você só precisa prestar atenção e deixar que ela fale, ainda que você sangre por dentro. É isso que ainda te mantem em pé, o que te mantem aqui, que te mantem vivo.

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